domingo, agosto 24, 2008

diva


joan as police woman
9 de novembro, centro cultural olga cadaval
sintra

ela e a martha wainwright são as minhas divas.

sexta-feira, agosto 22, 2008

medalha de ouro


nélson évora

para consternação da minha colega nazi.

quote: deve correr-lhe muito sangue português nas veias deve.

segunda-feira, agosto 18, 2008

era enfiar-lhes a todos um espeto em brasa pelo cu acima (*)

descobri que tenho uma militante do pnr como colega de trabalho. não lhe falta nada. já foi presa, na mesma altura em que prenderam o mário machado. tem uma tatuagem de uma águia a segurar uma suástica no fundo das costas. descolora o cabelo e as sobrancelhas de modo a parecer ariana pura. passa férias sempre na suécia, rodeada dos seus semelhantes, claro está.
hoje após um conctacto telefónico com uma senhora preta, que atendeu o telefone de maneira estridente, a minha colega diz:

isto não é gente, isto são animais.

acho que não preciso de dizer mais nada. é triste, muito triste.



(*) expressão roubada à minha mãe.

quinta-feira, agosto 14, 2008

terça-feira, agosto 12, 2008

segunda-feira, agosto 11, 2008

eu não quero bater na mesma tecla

mas hoje a porca gordurosa (vide post anterior) estava a comentar uma vez mais a notícia da actualidade que é (ainda) o assalto ao bes, dizendo que a família do brasileiro não tinha direito a qualquer indemnização pela morte dele, aliás eles é que tinham ainda de pagar por aquilo que o gajo fez. se calhar até podiam era ir presos, já que ele morreu. digo eu. assim fazia-se justiça. para esses brasileiros aprenderem todos.

...

sem comentários. não se explica o valor duma vida a uma pessoa assim, pois não? não se explica que os familiares têm direito a uma indemnização pelo dano morte, por mais execrável que seja a criatura abatida, pois não?
eu pelo menos não consigo, não tenho feitio de catequista.

ouve-se (muito) boa música para esquecer as agruras do dia a dia.


pode ser ouvido aqui

domingo, agosto 10, 2008

fosgasse


já muito se escreveu e falou sobre o assalto ao bes, na passada quinta feira. num país ainda relativamente calmo e algo amador nos assaltos (estando a situação a «melhorar» cada vez mais, com os larápios a adoptarem uma postura cada vez mais profissional na sua actividade do gamanço), este exemplo fez subir a adrenalina e mexeu com sentimentos muito profundos.
primeiro, foi o assalto a um banco. situação sempre dramática, porque tudo o que mexe com o nosso dinheirinho é sempre complicado.
depois, envolveu armas, e reféns em perigo de vida, e negociações, e snipers.
e, muito importante, envolveu brasileiros. essa escumalha que devia ir para a sua terra, «era matá-los mas era todos», como hoje ouvi da boca da minha tia, «a polícia devia era ter matado os dois gajos, que era isso que mereciam» disse a porca gordurosa do meu trabalho.
confesso que foi a última das afirmações que mais me chocou. porque detesto a personagem que a proferiu, já que à minha tia dou um desconto, porque este tipo de saídas já são típicas dela. é racista, é. mas é minha tia, pertence a outra geração e é pouco instruída.
agora, esta minha colega de trabalho, se for verdade o que ela diz, está em plena fase de selecção, já muito adiantada, para a polícia judiciária. é este tipo de pessoas que é o futuro da nossa polícia. este tipo de pessoa cheio de preconceitos é que vai interrogar criminosos? este tipo de pessoa cheia de preconceitos é que vai investigar um suspeito? este tipo de pessoa, sem qualquer noção do que é essa coisa vaga chamada «dignidade da pessoa humana».
para agravar um pouco mais a situação, esta criatura acaba a frase acima reproduzida com um sonoro fosgasse. mau demais.
se há coisa que os anos amargos do curso de direito me deixaram foi uma perspectiva muito clara daquilo que deve ser a justiça, que não inclui qualquer forma de sacrifício de vida como castigo. pensando bem, foi das contribuições mais importantes que este curso me deu.
mas julgo que nem mesmo nos meus anos de trevas eu seria capaz de dizer uma barbaridade como aquela. como é possível não lamentar a morte do assaltante, ainda que não houvesse outra alternativa? não está em causa a conduta da polícia, pois não podia ter agido melhor. está em causa sim o resultado produzido, a morte duma pessoa, bandido, larápio, criminoso, cabrão, não interessa. e esse resultado é sempre de lamentar.
mas enfim, esta criatura oleosa já ia a meio do livro do gonçalo amaral um dia depois de ter saído. e quando confrontada com um sonoro: tu andas a ler isto?! por parte duma colega disse: foi a minha vizinha que me emprestou.
não tenho mais nada a dizer. por enquanto.

quinta-feira, agosto 07, 2008

...


a vista da nossa tenda


continuando o relato.
o dia 2 de agosto era, de longe, o mais aguardado. começou bem, com uma banda também por mim totalmente desconhecida, os spiritual front. sonoridades de western em pleno calor abrasador, membros da banda bem vestidinhos e cheios de charme, revelaram-se um projecto muito interessante. gostei verdadeiramente do que ouvi.
seguiram-se os teenagers, novamente um dos piores concertos que vi em toda a minha vida. com uma qualidade de música semelhante aos the sounds, não faltando o organito ridículo, e um vocalista histérico, que, valha a verdade, teve o mérito de interagir e muito com os fãs (?!) da fila da frente, indo quase para o meio deles, tiveram como ponto alto (?!?!?!?!) a ida de uma miúda para o palco, para cantar com os membros da banda. foi o momento hannah montana que ela jamais esquecerá, e que deixou muitos dos que estavam a assistir com um misto de vergonha por aquela figurinha e de prazer sádico por gozar aquele prato.
devido a complicações com o transporte do equipamento dos mars volta, estes, que eram para fechar a noite, tiveram de actuar às 21.30. foi uma pena, mesmo. porque se já assim foi inesquecível, se tivessem a oportunidade de fechar o dia, como estava programado, teria sido muito melhor. pelo menos muito mais longo, seguramente. as faces mais visíveis dos mars volta são sem dúvida omar rodriguez-lopez e cedric bixler-zavala, membros dos extintos at the drive-in. mas o que fica na retina é a prestação de uma banda composta por vários membros incrivelmente talentosos, com o destaque para um baterista infernal, e claro, para os frenéticos solos de omar. como vocalista, cedric é um portento. uma voz irrepreensível e algo estranha, que muito contribui para o som muito singular desta banda. e depois, a maneira como se mexe em palco... único. inesquecível. não foi um concerto de canções, longe disso. poucas foram as canções, contudo foram alargadas por vários minutos, numa espécie de jam session tresloucada, possuída. umas vezes mais lenta, outras vezes uma muralha sonora que quase aleijava o corpo, de tão potente. não sabia de antemão como eram ao vivo, foi um autêntica surpresa que me deixou sem fôlego. e a salivar por mais, muito mais.
a ansiedade para ver os dEUS também era imensa. muitas foram as oportunidades desperdiçadas antes desta para os ver ao vivo. nota-se claramente a grande química da banda com o nosso público e o nosso país. tom barman falou da água fria do rio e deu uma grande notícia, já que vão voltar em outubro para concertos em lisboa e no porto. o que como é de calcular levantou uma imensa ovação. quanto ao concerto em si não consigo apontar nada de negativo, talvez algumas músicas que gostava que tivessem tocado e que não o fizeram, como sempre acontece quando vamos a um concerto de uma banda de que gostamos. os grandes clássicos não foram esquecidos, como roses, suds and soda, instant street, tendo sido esta uma das melhores canções do concerto, com um final asfixiante. foi um momento completamente mágico terem tocado a nothing really ends, uma das minhas músicas preferidas de sempre, naquele sítio e naquela altura. uma sensação perto da levitação.
os wraygunn tiveram a honra inesperada de fechar o dia, já que eram para tocar na hora de mars volta, sendo uma honra completamente merecida. uma vez mais não consegui ver até ao fim. frio, cansaço, e uma imensa dor nas costas, provocada pelo maravilhoso e ao mesmo tempo desconfortável anfiteatro natural. devo ter visto cerca de metade do concerto, tendo dado para ver que estava a ser grande, enorme. paulo furtado estava visivelmente on fire por se encontrar ali a tocar para aquela multidão, e as músicas dos wraygunn conseguem ser tão boas ou melhores ao vivo. diz quem viu que o paulo furtado andou lá para o meio das filas da frente enquanto reclamava com um segurança para o largarem. isso eu já não vi.

o último dia foi o menos produtivo, por causa do cansaço e dos preparativos para a longa viagem de regresso. por isso ra ra riot não faço a mínima ideia como foi. au revoir simone ouvi da tenda, mas também não era nada que me interessasse muito.
queria ver o tributo a joy division, sobretudo quando soube que o rodrigo leão fazia parte. revelou-se um bocado uma desilusão, já que os dois ian curtis portugueses eram mauzinhos, um era desafinado, o outro para além de desafinado era muito pouco expressivo. para além disso os arranjos nem sempre resultavam bem. foi pena, porque estava à espera de bem melhor.
os biffy clyro fizeram as delícias dos muitos adolescentes que povoavam a frente com o som punk rock, que por uma vez ou outra até era bem bonzinho. mas nada que me faça ter curiosidade de descobrir mais.
os lemonheads só ouvi, já que por essa altura deambulava entre a fila para levantar dinheiro e a área da restauração. como tal não sei dizer grande coisa já que não prestei a atenção devida.
por fim, os thievery corporation tardaram bastante a aperecer, não tendo conseguido esperar por eles tive de recolher à tenda, desconfortável pela humidade que caía, pelo frio imenso e por um dedo que me doía horrívelmente que me fez ir à tenda da cruz vermelha para me tratarem um fungo (eu juro que tomei banho todos os dias) que entretanto me aparecera. o que ouvi, já na tenda, deixou-me muita pena por não estar a assistir ao concerto dos thievery corporation, mas fica a memória auditiva, sob um céu estrelado que fiz questão de contemplar longamente de modo a registar em modo postal na minha cabeça, para me lembrar por muito tempo.
pelo menos até para o ano que vem.

quarta-feira, agosto 06, 2008

fucking pós-paredes de coura!


apesar ter arriscado um bocado para ir estes dias a paredes de coura, e já sentindo alguma hostilidade por parte da minha chefe, não podia ter valido mais a pena.
nunca tinha ido a um festival de verão como verdadeira festivaleira, a dormir em tenda e a tomar banho de água fria. estive quatro dias sem me pentear, já que me esqueci da escova.
diz-se que este foi o festival mais quente de sempre, e de facto o clima era desértico, o que não nos permitia dormir até tarde, de modo a recuperar, pois o calor era insuportável, nem ver os concertos até ao fim, tal era o frio.
em termos de concertos, pois era exactamente isso que interessava, variou entre o muito bom e o muito mau.
no primeiro dia, os two gallants foram uma agradável surpresa. nunca tinha ouvido falar deles, e pareciam um pouco deslocados do resto do cartaz, sendo um duo bastante versátil, com boas canções, ainda que simples.
os the rakes conseguiram pôr grande parte dos adolescentes mtv2 em delírio, ainda que pouco conhecedores das músicas. eu própria confesso que também conheço mal, mas tendo em conta o que conheço foi um concerto tal como imaginei. o excêntrico vocalista , com algum álcool à mistura e com os seus trajeitos pouco masculinos, teve piada nas primeiras canções mas depois tornou-se um pouco cansativo. ainda assim praticam uma musiquinha boa, alegre, deram um bom concerto. aliás, ao pé daquele que se seguiu foi óptimo.
seguiram-se os the sounds. seguramente um dos piores concertos do festival, um dos piores de sempre no meu historial de espectadora. com uma vocalista de calções minúsculos e frequentemente de pernas abertas. mistura explosiva para as mulheres que estavam na plateia. duvido que haja alguma que a dada altura não tenha pensado porca de merda, badalhoca. falando por mim, essas palavras eram recorrentes na minha cabeça. a música é inconsequente, com um órgão mais irritante que o zumbido de um mosquito, com uma vocalista que para além do ar de rameira tinha uma voz péssima. enfim, uma vez mais era ver a multidão mtv2 a delirar. e claro, os solteirões de copo na mão.
de seguida vieram os editors, e uma vez mais deram um bom concerto. nota-se perfeitamente a imensa química que a banda tem com portugal. o vocalista é imparável em palco. não faltaram os grandes êxitos do primeiro «the back room» que é também aquele que conheço melhor, bem como do mais recente, já bem digerido pelos fãs fiéis que se deslocaram ao minho. foram muitas as t-shirts de editors que por ali vi a passearem-se.
os primal scream fecharam a noite, e eu fechei-me no saco cama pouco depois do concerto ter começado. frio, muito frio mesmo. mas pareceu-me um bom concerto, do pouco que vi e que depois ouvi, já na tenda.

(continua)