domingo, agosto 10, 2008

fosgasse


já muito se escreveu e falou sobre o assalto ao bes, na passada quinta feira. num país ainda relativamente calmo e algo amador nos assaltos (estando a situação a «melhorar» cada vez mais, com os larápios a adoptarem uma postura cada vez mais profissional na sua actividade do gamanço), este exemplo fez subir a adrenalina e mexeu com sentimentos muito profundos.
primeiro, foi o assalto a um banco. situação sempre dramática, porque tudo o que mexe com o nosso dinheirinho é sempre complicado.
depois, envolveu armas, e reféns em perigo de vida, e negociações, e snipers.
e, muito importante, envolveu brasileiros. essa escumalha que devia ir para a sua terra, «era matá-los mas era todos», como hoje ouvi da boca da minha tia, «a polícia devia era ter matado os dois gajos, que era isso que mereciam» disse a porca gordurosa do meu trabalho.
confesso que foi a última das afirmações que mais me chocou. porque detesto a personagem que a proferiu, já que à minha tia dou um desconto, porque este tipo de saídas já são típicas dela. é racista, é. mas é minha tia, pertence a outra geração e é pouco instruída.
agora, esta minha colega de trabalho, se for verdade o que ela diz, está em plena fase de selecção, já muito adiantada, para a polícia judiciária. é este tipo de pessoas que é o futuro da nossa polícia. este tipo de pessoa cheio de preconceitos é que vai interrogar criminosos? este tipo de pessoa cheia de preconceitos é que vai investigar um suspeito? este tipo de pessoa, sem qualquer noção do que é essa coisa vaga chamada «dignidade da pessoa humana».
para agravar um pouco mais a situação, esta criatura acaba a frase acima reproduzida com um sonoro fosgasse. mau demais.
se há coisa que os anos amargos do curso de direito me deixaram foi uma perspectiva muito clara daquilo que deve ser a justiça, que não inclui qualquer forma de sacrifício de vida como castigo. pensando bem, foi das contribuições mais importantes que este curso me deu.
mas julgo que nem mesmo nos meus anos de trevas eu seria capaz de dizer uma barbaridade como aquela. como é possível não lamentar a morte do assaltante, ainda que não houvesse outra alternativa? não está em causa a conduta da polícia, pois não podia ter agido melhor. está em causa sim o resultado produzido, a morte duma pessoa, bandido, larápio, criminoso, cabrão, não interessa. e esse resultado é sempre de lamentar.
mas enfim, esta criatura oleosa já ia a meio do livro do gonçalo amaral um dia depois de ter saído. e quando confrontada com um sonoro: tu andas a ler isto?! por parte duma colega disse: foi a minha vizinha que me emprestou.
não tenho mais nada a dizer. por enquanto.

7 comentários:

passarola disse...

mas tivemos uma cena à filme americano dos anos cinquenta! uúu! ;)

paredes de coura forever! para o ano que vem não te deixo ir para a tenda antes do fim dos concertos ;) beijinho!

Refugee disse...

Ainda dizem que somos um país de brandos costumes, Fosgasse. Se é para sermos um país de foras-da-lei, ao menos que sejamos com ética, como p Zé do Telhado. Não, agora a sério, esse tipo de pessoas anda desenquadrado. Portuggal +é um país que respeita práticas humanitaristas muito antes de outros países da civilização ocidental. Foi provavelmente o 1º país a abolir a pena de morte, no mundo....

Mas afinal o que estou eu aqui a fazer?... disse...

Ora bolas! Estava a ver que não! Pensava que tinha sido a única pessoa a achar que a operação não foi 100% eficaz! É que a Declaração dos Direitos Humanos delega a todo o indivíduo o direito à vida e ainda ao julgamento em tribunal pelos seus crimes....
Pronto, pronto, tou mais descansada! Cheguei a pensar que estava num país de "porcas gordurosas" como a do teu trabalho!

Deepak Gopi disse...

Movie poster or a real one??
How are you? Howz your work going?

Arya Bodhisattva disse...

Tenho a ligeira suspeita que o resultado da operação também foii pensado para dissuadir as pessoas de se aventurarem em tentativas semelhantes...

...Morte planeada. Fica um amargo na boca.

(Ainda assim, acredito que os reféns foram, como deviam ser, a prioridade número um. Concordo com isso.)

rjl disse...

olá!bem-vinda de novo!gostei do post e entendo o teu posto de vistas,mas...há sempre um mas...a sensação de inseguraça e impunidade leva a que pessoas analfabetas ou não analfabetas tenham comentarios como o que referiste...por outro lado podiamos acrescentar que os assaltantes são vitimas desta sociedade consumista e que vivemos sob uma falsa moralidade...é claro que lamento toda e qualquer morte, principalmente uma morte estúpida e mesquina, humana ou animal, mas (cá vem o mas) lamentaria mais se alguns dos reféns fosse morto e os assaltantes continuassem vivos...desculpa-me a franqueza e com certeza concordas comigo...ninguém tem o direito de tirar uma vida, mesmo a vida de uma assaltante, mas eles não têm nenhum direito a apontar uma arma a cabeça de um inocênte e ameaça-la para que possam sair impunes de uma situação como é um assalto a um banco, digo mais, perdem o direito a sua integridade física quando se servem da integridade física de outro ( mesmo depois de mais de 6 horas de negociações com a policia)...é essa a justiça que falas?...não creio...bem sei que a justiça deveria ser cega e que o Homem é tudo menos cego, mas neste caso não se trata de justiça, mas de proteger o inocente, o refem...pergunto-te: será que a vida do assaltante vale mais do que a do refém? pergunto-te: e se fosses tu que tivesses uma arma apontada à cabeça? ou algum familiar (marido, filho, irmão, etc,etc?) pergunto-te: não preferirias que o assaltante morresse em vez de ser tu a morreres ou o teu familiar? pergunto-te: achas que o assaltante lamentaria a tua morte?
????
não sejemos hipocritas, nem levianos, a situação resolveu-se da melhor maneira possivel, com o menor dano possível...apenas a morte de um assaltante...
beijinhos e obrigado pela reflexão... ;)

Anónimo disse...

é mesmo... a convivencia com portugues é uma merda
olha o cara, ainda por cima, vai assaltar um banco, onde
nao tem movimento de dinheiro... fala serio?!!
um escumalha!!! filho da puta e burro.

Ka.