quinta-feira, agosto 07, 2008

...


a vista da nossa tenda


continuando o relato.
o dia 2 de agosto era, de longe, o mais aguardado. começou bem, com uma banda também por mim totalmente desconhecida, os spiritual front. sonoridades de western em pleno calor abrasador, membros da banda bem vestidinhos e cheios de charme, revelaram-se um projecto muito interessante. gostei verdadeiramente do que ouvi.
seguiram-se os teenagers, novamente um dos piores concertos que vi em toda a minha vida. com uma qualidade de música semelhante aos the sounds, não faltando o organito ridículo, e um vocalista histérico, que, valha a verdade, teve o mérito de interagir e muito com os fãs (?!) da fila da frente, indo quase para o meio deles, tiveram como ponto alto (?!?!?!?!) a ida de uma miúda para o palco, para cantar com os membros da banda. foi o momento hannah montana que ela jamais esquecerá, e que deixou muitos dos que estavam a assistir com um misto de vergonha por aquela figurinha e de prazer sádico por gozar aquele prato.
devido a complicações com o transporte do equipamento dos mars volta, estes, que eram para fechar a noite, tiveram de actuar às 21.30. foi uma pena, mesmo. porque se já assim foi inesquecível, se tivessem a oportunidade de fechar o dia, como estava programado, teria sido muito melhor. pelo menos muito mais longo, seguramente. as faces mais visíveis dos mars volta são sem dúvida omar rodriguez-lopez e cedric bixler-zavala, membros dos extintos at the drive-in. mas o que fica na retina é a prestação de uma banda composta por vários membros incrivelmente talentosos, com o destaque para um baterista infernal, e claro, para os frenéticos solos de omar. como vocalista, cedric é um portento. uma voz irrepreensível e algo estranha, que muito contribui para o som muito singular desta banda. e depois, a maneira como se mexe em palco... único. inesquecível. não foi um concerto de canções, longe disso. poucas foram as canções, contudo foram alargadas por vários minutos, numa espécie de jam session tresloucada, possuída. umas vezes mais lenta, outras vezes uma muralha sonora que quase aleijava o corpo, de tão potente. não sabia de antemão como eram ao vivo, foi um autêntica surpresa que me deixou sem fôlego. e a salivar por mais, muito mais.
a ansiedade para ver os dEUS também era imensa. muitas foram as oportunidades desperdiçadas antes desta para os ver ao vivo. nota-se claramente a grande química da banda com o nosso público e o nosso país. tom barman falou da água fria do rio e deu uma grande notícia, já que vão voltar em outubro para concertos em lisboa e no porto. o que como é de calcular levantou uma imensa ovação. quanto ao concerto em si não consigo apontar nada de negativo, talvez algumas músicas que gostava que tivessem tocado e que não o fizeram, como sempre acontece quando vamos a um concerto de uma banda de que gostamos. os grandes clássicos não foram esquecidos, como roses, suds and soda, instant street, tendo sido esta uma das melhores canções do concerto, com um final asfixiante. foi um momento completamente mágico terem tocado a nothing really ends, uma das minhas músicas preferidas de sempre, naquele sítio e naquela altura. uma sensação perto da levitação.
os wraygunn tiveram a honra inesperada de fechar o dia, já que eram para tocar na hora de mars volta, sendo uma honra completamente merecida. uma vez mais não consegui ver até ao fim. frio, cansaço, e uma imensa dor nas costas, provocada pelo maravilhoso e ao mesmo tempo desconfortável anfiteatro natural. devo ter visto cerca de metade do concerto, tendo dado para ver que estava a ser grande, enorme. paulo furtado estava visivelmente on fire por se encontrar ali a tocar para aquela multidão, e as músicas dos wraygunn conseguem ser tão boas ou melhores ao vivo. diz quem viu que o paulo furtado andou lá para o meio das filas da frente enquanto reclamava com um segurança para o largarem. isso eu já não vi.

o último dia foi o menos produtivo, por causa do cansaço e dos preparativos para a longa viagem de regresso. por isso ra ra riot não faço a mínima ideia como foi. au revoir simone ouvi da tenda, mas também não era nada que me interessasse muito.
queria ver o tributo a joy division, sobretudo quando soube que o rodrigo leão fazia parte. revelou-se um bocado uma desilusão, já que os dois ian curtis portugueses eram mauzinhos, um era desafinado, o outro para além de desafinado era muito pouco expressivo. para além disso os arranjos nem sempre resultavam bem. foi pena, porque estava à espera de bem melhor.
os biffy clyro fizeram as delícias dos muitos adolescentes que povoavam a frente com o som punk rock, que por uma vez ou outra até era bem bonzinho. mas nada que me faça ter curiosidade de descobrir mais.
os lemonheads só ouvi, já que por essa altura deambulava entre a fila para levantar dinheiro e a área da restauração. como tal não sei dizer grande coisa já que não prestei a atenção devida.
por fim, os thievery corporation tardaram bastante a aperecer, não tendo conseguido esperar por eles tive de recolher à tenda, desconfortável pela humidade que caía, pelo frio imenso e por um dedo que me doía horrívelmente que me fez ir à tenda da cruz vermelha para me tratarem um fungo (eu juro que tomei banho todos os dias) que entretanto me aparecera. o que ouvi, já na tenda, deixou-me muita pena por não estar a assistir ao concerto dos thievery corporation, mas fica a memória auditiva, sob um céu estrelado que fiz questão de contemplar longamente de modo a registar em modo postal na minha cabeça, para me lembrar por muito tempo.
pelo menos até para o ano que vem.

8 comentários:

odete almerinda disse...

VIZINHA,
Tinha criado demasiadas expectativas para ver dEUS. Não fui vê-los em 99 e jurei q só os veria actuar em Paredes de Coura.Aconteceu.
Aconteceu um dos melhores concertos a que já assisti. Um Tom Barman inspirado, um segunda voz que tomara muita banda tê-la como primeira..o violino distorcido...ai o violino distorcido!
Um espectáculo sem o tradicional "make some noise, Portugal" de que ja estava enjoadinha, mas com um fucking good " boa noite Paredes de Coura".
o Tom Barman..ai o o Tom Barman, casava-me com ele se ele quisesse!
:)
BJS

R.B.M. disse...

Ai invejo-te muito pelos the Mars Volta, acho que tinha dado o meu dedo mindinho para ir vê-los, são tão únicos e peculiares. É esperar que venham dar um concerto em nome próprio. beijinhos

rjl disse...

:)

bom fim-de-semana!
***

Vanessa disse...

uma só palavra: inveja.

ahahahah! quem me dera ter ido ver dEUS! :D

beijinho!

Mas afinal o que estou eu aqui a fazer?... disse...

Escusado será dizer que me deliciei com a tua descrição sobre Mars Volta.... Obrigada!

nana disse...

então e mandares um dia destes uma "reportagem" deste género para o blitz, ou coisa que o valha?...

(meus) dEUs, que inveja.... ;o)

beijo grande.

espero que estejas bem.

e obrigada por este saborzinho de rio e cantar de tanto mais.

:o)


ps - e um pedido de desculpas pela ausência - tenho andado "desnEtada"...

Carlos disse...

pois, a inveja parece ser um sentimento comum entre estes mortais que gostariam de ver dEUS... ;-)

O que interessa é que te tenhas divertido à brava!

beijoca... gostei da descriçao pormenorizada dos acontecimentos!!! ;-)

Dr. Strangeluv disse...

Relato bonito.

Confesso que me sinto mal por o som de Mars Volta me parecer demasiado progressivo (eu sei, eu sei que devia gostar). E dEUS, é A minha Lacuna (*vergonha*)

Para o ano, lá estaremos. Tou com fé que a Karen O volte e se lembre de dizer ao Devendra para vir passear com a Natalie para o campo.