quarta-feira, abril 02, 2008

um homem mede-se pelo tamanho da pasta

ele sempre soube que a sua vocação era o mundo das leis. aos seis anos olhava fascinado o pai a tratar das toneladas de papéis, e tinha como brinquedo preferido uma pastinha de cabedal, igual à do pai, e entretinha-se a enfiar para dentro da pastinha as folhas com os desenhos das primeiras letras. sentia-se já um pequeno advogado. era ele que resolvia as disputas de recreio.
com a adolescência, cresceu ele e o tamanho da pasta. quando todos os amigos jogavam magic ou simplesmente apalpavam umas miúdas ele preferia ler o código civil do início ao fim, e todos os meses apanhava o autocarro para o rato para ir assistir ao debate mensal na assembleia.
aos 18 anos, a felicidade suprema. entrou em direito para a clássica, a melhor do país como lhe chamam, o mundo de oportunidades à sua frente. podia conhecer pessoas como ele, podia humilhar os que não percebem tanto quanto ele. e podia finalmente comprar uma pasta de cabedal a sério. grande, com fecho dourado, duas repartições, pele genuína. uma vaidade, passeá-la pelos corredores daquele edifício austero.
enche-a agora de folhas de atentos apontamentos e de manuais, e códigos, e livros de casos práticos.
nas primeiras aulas do primeiro ano decidiu começar a estudar sem falhar um único dia. decidiu ser da elite, os melhores.
só não julgava que tal iria ser tão fácil.
ao ler a primeira linha do manual de direito constitucional do professor jorge miranda sentiu algo que ainda não tinha sentido. um formigueiro, um arrepio na espinha. que será isto?, pensou ele. continuou. reparou que quanto mais lia mais o sentimento se adensava. estudar ainda é melhor do que eu pensava, não vou parar, não vou parar nunca, não voooouu... e veio-se. ali. na secretária. as calças molhadas, a pasta a salvo, graças a deus. descobriu a sexualidade enquanto estudava. o direito é o seu sexo, a penetração do sublime saber no seu cérebro ávido.
a partir daí a vontade de estudar, como se compreende, nunca esmoreceu. pelo contrário, foi aprendendo técnicas de retardamento da ejaculação. quando se sente demasiado excitado por um autor, muda para outro. e para outro. até que se deixa vir, pela magnífica sensação de ter alcançado o verdadeiro saber.
hoje em dia os orgasmos dão-se em qualquer lado. já aprendeu a controlar o som que lhe sai da boca, mas os músculos faciais denunciam espasmos de prazer enquanto analisa o acórdão do tribunal constitucional sobre uma matéria tão interessante como a do direito à informação ambiental por parte dos particulares.

post surgido na aula de direito de ambiente enquanto observava a discussão animadíssima levada a cabo pelos meus queridos e adorados colegas.
decididamente, não me conhecem.

10 comentários:

just a boy... disse...

ahahah...
mas isto é verídico? é que de tão surreal que é não consegui perceber se sim ou não.. lol
se for verdade isto realmente há pessoas mesmo muuuuuuito estranhas.

beijos***

Betty Coltrane disse...

AHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!está genial!

adoro-te, sua puta!!! =DD!!!

THE NADER disse...

Excelente post! :D

Happy and Bleeding disse...

hey! this is great! :)




(fica à espera de mais destes :))

Nia disse...

lol

Francisco disse...

também detestas pessoas que se sentem tão bem no curso que até cadeiras sem interesse nenhum eles gostam e depois têm discussões desinteressantes sobre os temas? Já somos dois.

Verne disse...

LOL! Que mazinha...
Já agora para quando o post sobre o side-kick dele?=P *

Maria del Sol disse...

Sobre o espécime descrito dá vontade de dizer: quem precisa do SexyHot quando há livros de casos práticos? :P

Arya Bodhisattva disse...

Bom, isto está... incrível...
Não sei o que mais me despertou, se riso, se espanto.
:D

H4rdDrunk3r disse...

comecei a ler um bocado desconfiada... Na parte do JoMi o entusiasmo cresceu. Mas confesso que estava longe de prever o fim... LOL o que eu me ri... Mas é-me inconcebível alguém vir-se por semelhantes motivos... OMG!