quinta-feira, abril 10, 2008



todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve
de nada. ficaram

os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e
da morte.
os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram
suficientes e
foram
demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como
lágrimas.
sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em
cada instante, cada hora,
não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver
deitado,
nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo
antes de a
foder.

josé luís peixoto

8 comentários:

Reflex disse...

Já lá vão uns bons anitos quando eu descobri esse poema e com ele o José Luís Peixoto (que na altura era pouco mais que um mero desconhecido...). A partir daí comecei a seguir a carreira dele e não me surpreendeu nada o muito sucesso que ele tem tido!
Arriscaria a dizer que esse é o meu "poema não-Pessoa" favorito.;)

Óptima escolha para um post! Menos óptima a inclusão da versão musicada!:P

Maria del Sol disse...

Não sabia que os Naifa tinham musicado este poema, que só por si é um portento. É uma escolha arriscada para um projecto como o deles, mas acho que até lhes correu bem. :)

Vanessa disse...

gosto muito da naifa. masoquismo à força toda, mas que se lixe! :D

Vanessa disse...

e olhando ali para a barra lateral, atrevo-me a dizer que andamos em sintonia musical... :)

H4rdDrunk3r disse...

oh pah o homem dá-lhe... ia lá cá com uma pinta... pffffffff...

H4rdDrunk3r disse...

eu não posso dizer que jé tive o prazer de lhe segurar um livro, mas já me começo a sentir mal com o facto. não merece.

Ema disse...

pronto, fui eu. nem fazia sentido nenhum ser a minha menina, que o conhece tão bem. quem partilha computadores partilha uma vida...:)

H4rdDrunk3r disse...

Oh Ema, podias ser mais explícita... sim, o comment era mesmo da Ema... =) Deus me livre nunca ter pegado no Peixoto... eheh