segunda-feira, março 10, 2008

post sério. ler com cara séria.

hoje quando cheguei a casa, entre duas torradas e café com leite, vejo um bocadinho do portugal no coração. estava em estúdio o actor que fazia de fininho no 1,2,3, não sei quantos guilherme, acho eu, confesso que não me lembro do nome do senhor. e um produtor de teatro de revista.
falava-se então do presente e do futuro do teatro de revista em portugal.
o actor mostrava-se revoltado com o estado do teatro de revista em portugal, nos dias de hoje, atribuindo a culpa da falta de apoios ao sócrates, e saiu-se com uma tirada memorável que foi mais ou menos isto: ao menos o salazar gostava de teatro, se este agora que ser igual ao salazar então que apoie o teatro de revista, ou então matem-se aqueles gajos. matem-se os gajos que estão no poder.

bem, que dizer sobre isto.

a minha mãe obviamente estava possessa, porque tenho a impressão que é capaz de gostar mais do sócrates que a própria mãe deste. mas numa coisa ela tem claramente razão. obviamente no tempo do salazar se o senhor dissesse uma barbaridade destas onde iria ele parar...a aliás, não chegava a fazê-lo, que o medinho era mais que muito.
não contesto que o sócrates esteja a ser uma desilusão. isto para quem votou nele, como eu, já que quem não votou poderá dizer de boca cheia que não o pôs lá no poder. só não me parece que o homem agora deva servir de bode espiatório para tudo. estragam-se as colheitas, é culpa do sócras. o benfica perde é culpa do sócras. tá calor, é culpa do sócras. ninguém vai à revista, é culpa do habitual sócras.
ninguém vai à revista porque a revista faz tanto sentido hoje quanto a teresa guilherme ser actriz. pouco ou nenhum. a meu ver sobretudo por causa da saturação dos temas e dessa coisa mais linda que é a liberdade de expressão. o mesmo motivo que leva o sr. fininho a poder dizer que se devia matar esta cambada toda é aquele que lhe está a estragar o negócio. temos pena.
os tempos são outros, o humor mudou, o público mudou, o país mudou. mas os actores gostariam de fazer o mesmo tipo de teatro que se fazia há 40 ou mais anos atrás.
não dá. paciência, mas não dá.
quer dizer, ainda se faz, com nomes tão engraçados como hip hop'arque. mas em tanta abundância como era antigamente parece-me impossível.

mas a minha querida mãe, ao mesmo tempo que fez uma observação sensata, saiu-se com algo que me preocupa tanto quanto a nostalgia pelo nosso senhor salazar, padroeiro dos poupadinhos: isto agora das pessoas dizerem tudo o que lhes vai na cabeça também não está certo, devia ser proibido dizer-se certas coisas.
arrepio.
algo vai mal quando se acha que a liberdade de expressão devia ser restringida. é que se fosse só a minha mãe a dizer isso estavamos nós bem, que a d. gertrudes sózinha não é o pensamento do país. mas não ouvi isto apenas dela. e se isto se generaliza, tendo em conta alguns comportamentos do senhor sócrates que às vezes se duvida que sejam totalmente democráticos, bem... com um pouco de sorte os senhores do teatro de revista podem começar a entrar novamente em acção, porque parece que as pessoas têm saudade de ver a sua liberdade de expressão restringida.

12 comentários:

Parrovski disse...

entre o salazar e o socrates venha o diado e escolha :)

passarola disse...

tsc tsc tsc... devias ser proibida de escrever certas coisas... lol! :)

Maria del Sol disse...

O problema maior não está só na desilusão tremenda que o Sócrates tem sido, mas sobretudo na falta de alternativas que temos para o futuro. A oposição é risível e não sei se o país resiste a outra maioria absoluta com as mesmas consequências da actual :S

Começo a perceber porque é que há uns tempos atrás se preferia

Maria del Sol disse...

*se preferia acreditar que um senhor de armadura slavaria o país numa noite de nevoieiro e viveríamos felizes para sempre.

(não sei porquê, mas o comentário saiu cortado)

little_blue_sheep disse...

...não sei o que comentar...acho que vivemos num pais de "xicos-espertos": todos querem fazer o menos possível e ganhar (alguns diria mesmo roubar) o mais que puderem...ministros, professores, actores, juízes, etc, etc...

"Bad officials are elected by good citizens who do not vote.",George Jean Nathan

H4rdDrunk3r disse...

O teatro de revista é das coisas mais retrógradas que este país conserva, um passatempo para casais de meia idade da classe média baixa lisboeta. É triste, realmente.

Vanessa disse...

bem, depois da minha cara mais séria, resta-me dizer que não votei no sócrates. também não gosto do teatro de revista, muito menos do portugal no coração. e também não gosto do salazar, apesar de ter sido eleito o grande português (muito medo!)! já o joão baião é capaz de me fazer rir de vez em quando... aqui por casa são todos comunas, o que às vezes também dá vontade de rir. a festa do avante já não é o que era, porra. sou de gaia mas também não é por isso que gosto mais do meneses. e a liberdade de expressão é lixada. mas, resumindo, eu não gosto de política. talvez porque neste momento o pensamento generalizado é de que ninguém faz nada para melhorar a imagem do país. a começar pelos pobrezinhos com bom corpo para trabalhar que se arrastam pela segurança social à espera do subsídio milagroso para mais um filho - que vai nascer e sobreviver num barraco - subsídio esse que vai 'salvar' a vida da família inteira. pensam eles. e a nós, que queremos levar uma vida de cabeça erguida e trabalhar, porque sim, cortam-nos as asas... por isto e por aquilo. e a educação e blábláblá para ti também. porque portugal precisa de ajuda e é preciso trabalhar. anda é meio mundo a sustentar outro meio... enfim. e sim, já falei de mais. a culpa é do sócras. eheheheh!

beijinho*

Happy and Bleeding disse...

este tema sobre o status quo nacional daria pano para mangas. vivemos num país que idolatra e reelege sistematicamente políticos marcadamente corruptos. O problema de Portugal são os portugueses. O laisser faire... ao ponto de termos feito um revolução em em pijama e pantufas, porque uma a sério dava uma trabalheira...

adiante.

achei muito interessante o diálogo feminista no post anterior sobre as 'mamas pequenas' mamas 'assim assim' e afins. isto sim, é serviço público :P

verdades_e_poesia disse...

Olá Curse! Concordo plenamente com o que disse o parrovski lá em cima. Agora, para mim quem manda mesmo no governo não é o sócrates, mas sim a maria de lurdes rodrigues, que põe e dispõe o que quer e o que lhe apetece com o 1º ministro a agir como um cordeirinho perante tais barbaridades. Ou seja, ela é que é a verdadeira 'dama de ferro' do nosso país e cá para mim o sócrates ainda leva com o rolo da massa. :) Beijos

Ema disse...

eu odeio revista, é verdade. só tenho pena de ver coisas totalmente únicas e nossas morrerem. talvez com um pouco de bom senso reformista se conseguisse fazer alguma coisa da revista portuguesa. não gosto, não. mas se calhar tem direito à vida.
e não, a culpa não é toda do Sócrates. a culpa é de sucessivos governos rosas e laranjas e amarelos com risquinhas azuis. se querem que vos diga, este ainda me parece dos melhores que temos tido.

Cataclismo Cerebral disse...

A questão do Sócrates enquanto saco de porrada da malta trata-se de culpabilizar um alvo fácil. É uma atitude pueril, mas parece que não há volta a dar... Quanto à nostalgia pela figura de Salazar, lembro-me sempre da Maria Elisa. Ela diz, a respeito desse tema, que o país padece de uma grave crise de memória. E concordo com ela...

Bjos!

Nezinha disse...

Se a Revista fosse apoiada pelo governo, se calhar tornava-se mais interessante.
Mas é claro que a Revista que se fez a uns bons anos atrás não é nada comparada com a que se faz hoje, antes havia mais empenho e mais dedicação e tudo o que é feito com amor e carinho sai sempre melhor.
Digo estas coisas, acreditando naquilo que a minha avó diz, com tanta a certeza!

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