domingo, janeiro 06, 2008

devo ter a mania...

dou por mim a pensar na minha espiritualidade. ou na falta dela. ou talvez na sua peculiaridade.
passo a explicar. como talvez a maior parte das crianças portuguesas recebi a educação católica. frequentei a catequese e fiz a primeira comunhão. fui baptizada quando ainda era apenas uma bébé moreninha e rechonchuda (sem ter chorado na altura em que levei com a água benta em cima, o que me parece digno de registo). não sei bem porquê, mas guardo muito poucas recordações dos ensinamentos católicos. talvez por défice de atenção ou por falta de prática. hoje em dia sou completamente arredada dos ritos religiosos, já não assisto a uma missa desde o último baptizado a que fui e já nem me lembro quando tomei a minha última hóstia.
ainda assim rezo. rezo a qualquer coisa que não sei identificar. não sinto que reze ao Deus dos católicos, não sinto que seja a ele que me dirija. mas ainda assim dirijo-me a um meu deus. ponho-me a pensar no que isto significa. acho que é mesmo consequência do meu egoísmo e do meu individualismo, é isso que me leva a ter uma certa convicção de que rezo para algo que é só meu, algo que só a mim me ouve e como tal só a mim me pode atender. mas que terá isto de tão diferente com as orações do comum dos fiéis? quanto mais penso mais ridículo me parece, não entendo de onde vem esta minha convicção de que sou especial ao ponto de ter um deusinho só para mim.
mas à noite, na hora de tentar retemperar energias e de buscar a tranquilidade para um sono repousante, parece-me óbvio que me dirijo em pensamento a algo meu, a algo superior a mim mas que, sem dúvida, é meu. anjo da guarda? acho que não, isso soa-me a revistinhas brasileiras de horóscopos, daquelas veja aqui qual é o seu anjinho da guarda. não, eu sou diferente, eu tenho um deus só para mim. e não acredito no Deus dos outros. esse não existe.

15 comentários:

Betty Coltrane disse...

O meu deus é a natureza, já sabes... a minha relação com os espiritual é bastante peculiar, com oscilações entre a descrença e um incontrolável fascínio pelas "artes do oculto". Bem, somos gajas especiais, o que é que se pode fazer? ;P

acho muito bem que tenhas um deus só para ti!

Francisco disse...

tal como tu também fui baptizado, fiz a primeira comunhão e também não vou à missa há imenso tempo (e não me lembro de alguma vez ter ido por sentir que aquilo fazia sentido). volta e meia também falo com um deus mas falo mais comigo mesmo. aliás, cada vez menos falo com "Ele".

Devo confessar que há uns tempos (uns 6 meses ou assim) fui à sé, numa semana mais dramática, esperava que aquilo fizesse algum sentido mas não fez. nem mesmo tendo ouvido a "dear god, please help me" antes de entrar. estava cheia de turistas, também.

Francisco disse...

lembro-me que era um dia de céu nebulado.

passarola disse...

és gulosa, tens um deus! eu não, tenho um anjinho da guarda que é o meu avô paterno que desde que morreu, era eu adolescente, ficou a tomar conta de mim. Eu sei isso porque sempre que estou mais triste sonho que estou ao colo dele. :) Somos protegidas, sim, e vai tudo correr bem ;)

Francisco disse...

(comigo não resultou, não senti espiritualidade nenhuma. não esperava que os meus problemas desaparecessem mas estava curioso sobre se aquilo faria sentido)

Francisco disse...

tava aqui numas leituras e lembrei-me do teu post quando li este poema de Miguel Torga:

Reza comigo, se te queres salvar.
Deus é pura poesia.
E o poema uma humilde petição
No templo sacrossanto da eternidade.
Reza comigo, a ler-me e a memorar
Os versos que mais possam alargar
O teu entendimento
De ti, do mundo e do negro inferno
De cada hora.
Purificada neles, terás então
No coração
A paz aliviada que te falta agora.

Coimbra, 15 de Abril de 1992.

Cataclismo Cerebral disse...

Também lido com a espiritualidade de uma maneira muito individual, acho que não existe outra forma. A verdade é que por muito que respeite os rituais das diversas religiões, nenhuma me consegue conquistar.

Bjocas e boa semana :)

Maria del Sol disse...

Acho que o mais sincero que posso dizer a este respeito é que estou em pleno processo de procura espiritual. Da mesma maneira que não acredito que exista uma verdade única e absoluta (alguns chamam-lhe dogma), tenho fortes suspeitas que há algo que nos une enquanto seres humanos e que faz de nós capazes das maiores coisas dentro da nossa pequenez e finitude. Agora, o que é este "algo" é uma pesquisa que acho que nunca vou dar por acabada ;)

Beijinhos!

little_blue_sheep disse...

:)

...acreditas? se acreditas, chama-se a isso ter fé...a fé não se partilha...nem se explica...sente-se...pode nem acreditar, mas acreditar faz de ti uma menina religiosa...
;)
*****

martinho disse...

Deves ter a mania, deves :)

Em todo o caso, e à partida, a tua opinião/crença está tão certa como todas as outras...

Verne disse...

hey!
eu tb fui baptizado, primeira comunhao e etc...
Mas sinceramente não me sinto catolico!
Sinceramente sinto que sou agnostico...parece-me a opção mais credivel para mim!
no entanto acho bem teres um deus so para ti ;) beijinhos!!*
Bom ano novo!!!

Arya Bodhisattva disse...

eu entrei em crise espiritual o ano passado e desde aí...
...sou a minha própria deusa! qualquer dia alugo um lugarejo algures e... faço uma pipa de massa com fiéis incautos...
=P

Eduardo Jai disse...

"não entendo de onde vem esta minha convicção de que sou especial ao ponto de ter um deusinho só para mim."

claro que tens.
chama-se Vida.
:)

Um dia BOM.

dona disse...

identifiquei-me muito com este teu post. acho que também estou em procura espiritual, mas já há uns tempos, e não consigo sair dela. esta indefinição atormenta-me, como atormenta o ser humano em geral, parece-me. de qualquer modo tento pensar que não tenho de me definir, que sou eu, ponto final. então porque é que continuo a pensar nisto?

H4rdDrunk3r disse...

lembrou-me um post meu, de há uns tempos atrás... questão difícil, essa da espiritualidade!