domingo, setembro 30, 2007

Finalmente......??!!!

Nem posso dizer o que ansiei por ter finalmente espaço para escrever. O trabalho absorve mesmo uma pessoa, mas nenhum de nós vive sem remuneração. Hoje foi o último dia, virei costas, foi mais uma fase da minha vida. Atrás de mim ficaram pessoas simples, mundanas, mas cada uma com o seu carisma, com uma caracterísitca que as torna única. Pareceu difícil porque apesar de todas as frustrações, foram pessoas atenciosas, prestáveis e solidárias no local de trabalho. Todas as rosas têm espinhos, talvez o espinho torne a rosa ainda mais bonita, mas ao colhê-la temos uma marca, não importa se dolorosa, se agradável, é sempre marcante, e sendo o balanço bastante razoável, há um pingo de saudade, sendo embora o trabalho bastante precário, saio com aquele rasto de cada vez que se abandona uma rotina. Obrigado pessoal.

sexta-feira, setembro 28, 2007

where ir my mind?

ela sai do comboio e tenta furar pelo mar de costas e de malas de senhoras. quer sair do meio da multidão o mais depressa possível. avança com ar de má para que toda a gente saiba que vai mal disposta e para afugentar qualquer gajo da ami que lhe tente impingir o cartão de saúde. finta as pessoas que vêm em sentido contrário.
sente-se infinitamente sózinha no meio da multidão. mas de repente é ele quem lhe aparece por trás e começa por lhe cantar aos ouvidos i will never be as cute as you. já pô-la a sorrir como só ele consegue fazer. pega nela e perante a indiferença dos que passam vão juntos a cantar e a dançar como se não estivessem ali mas num filme musical. correm pela passadeira e passam por cima das portas. ninguém parece dar por nada, como é possível?
a visita dele chega ao fim e ela fica sózinha outra vez.
já sente o sorriso a desvanecer-se, o metro chega, a faculdade a cinco minutos de distância.
e se o chamasse outra vez? está tudo à distância de um botão no leitor de mp3. assim faz, rules and regulations take dois. ele toca-lhe no ombro e abraçam-se como se já não se vissem há muito tempo. é tempo de sorrir mais 4 minutos e 5 segundos.
antes de passar pelos caloiros nas escadas e sentir o peso das colunas do átrio nas costas. agora o momento é de solenidade. ele deixa-a, por fim, entregue a outras pessoas.

quarta-feira, setembro 26, 2007

em repeat

quem me conhece de mais perto sabe que a minha mais recente adição é esta.
a minha alma paralela, como já me disseram que é. a soul slut, para outras pessoas.
a britânica com perturbações alimentares e um grave problema de drogas e álcool. grave ao ponto de eu desconfiar que a carreira não vai durar muito.
mas o que eu sinto quando oiço a sua voz não se explica. o facto de ser um tipo de música pelo qual regra geral não me interesso muito também também torna a minha adição ainda mais inexplicável.
mas como isto na música é o mais instintivo possível só consigo dizer que há qualquer coisa nesta mulher que me atrai irresistivelmente. se calhar por aparentemente ela ser tudo o que eu não sou mas as suas palavras fazem todo o sentido para mim por estes dias.

ou então é por ela fazer anos no mesmo dia que eu. 14 de setembro, fica aqui registado.


He walks away,
The sun goes down,
He takes the day but I am grown,
And in your way,
My deep shade,
My tears dry on their own

domingo, setembro 23, 2007

foi angustiante e ao mesmo tempo anedótico. foi angustiante porque é a prova provada da mediocridade da classe política portuguesa, em geral. foi anedótico porque o homem bem parecido, impecavelmente vestido e penteado ficou mesmo atrapalhado.
o homem em questão é luís filipe menezes, candidato a líder do psd e actual presidente da câmara de vila nova de gaia. confrontado com umas incoerências tremendas, tais como a ota, que tinha potencialidade para ser a 8ª maravilha do mundo, e que passou a ser um erro crasso. tais como o aborto, acto de mentes preversas e assassinas de criancinhas, passou a ser um direito que assiste à mulher, vote-se num veemente sim.
se tivesse sido só isto, em si não era nada de especial. quem nunca mudou de opinião na vida ou é doentiamente teimoso ou vive isolado do mundo.
o que tornou a cena tão ridícula foi a defesa, perante as investidas incansáveis do josé rodrigues dos santos. ou a falta dela, melhor dizendo. porque quando o senhor procurava defender-se aquilo que fazia era procurar incoerências no primeiro ministro, ou mandava uns podres do marques mendes para cima da mesa. ou ainda, melhor: dizer que aquelas palavras, que estavam a ser citadas de um artigo de opinião, por ele escrito, tinham-no sido por uma pessoa que estava apostada a denegrir a imagem do pobre cidadão menezes. só se tiver sido pelo acessor, o mesmo que lhe escreve as coisas no blog, directamente coladas da wikipedia.

apeteceu-me esfregar a minha mão lambuzada de frango assado naquela cara cheia de base.

sexta-feira, setembro 21, 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

notas soltas


* mais de um ano depois do último episódio, ontém quase chorei só de ouvir o genérico. se isto não é amor, então não sei o que será.

* esta noite os meus medos (re)visitaram-me em sonhos sob a forma de pequenos ratinhos que corriam esbaforidos aos meus pés. que significado atribuir? provavelmente nenhum, para os mais terra a terra. mas como eu até acho que os sonhos nos podem trazer alguma coisa, gosto sempre de fazer as minhas interpretações.

* como andava a precisar de me sentir bonita achei que seria útil comprar uma base, para tirar as imperfeições do rosto. só consegui ficar ainda mais pálida, mais sonsa, as imperfeições todas lá. parece-me que estou condenada a ter borbulhas e outras imperfeições, o que em si não é nada de terrível. há sinas muito piores. o pior é que também há dias piores. e nesses parece que nem a base safa.

quarta-feira, setembro 19, 2007

lavender diamond

Did you know that this is the beginning of the era of true love? The end of oppression? Of the self or the other. It's true. True love can only exist in the absence of oppression and where true love exists there is no oppression.
This is the moment of the invention of peace on earth. Like the moment just before the invention of the printing press. Or the day after, or the week of. Imagine the sun going down and you pass a window and someone inside is writing notes (and that someone is you) and those notes are about a letterpress- or an airplane- or the that the world is round- or that peace will come to earth. We will look back on this moment with astonishment and wonder how we lived in the time of war- much the same way we look back with astonishment at a time on earth without humans- or birds- or clouds- or at a time when dinosaurs lived-But do not forget that everything on earth and in heaven may come and go. There was a time before humanity. There was a time before America. There was a time before the sky, there was a time before earth. And this is the time before peace. I declare that the age of war is over and that soon it will be a memory. War is now extinct and peace is the new species.Imagine this. And Invent this with the full force of your soul, your mind, your heart, your voice. Earth is heaven, the water is magic, the ground is magic, your voice is magic, you are pure magic. Remember yourself. Bring peace.Peace to all the children of the world, forever and ever and now,

Love.

intrigados? (ver aqui)

segunda-feira, setembro 17, 2007

rita

hoje o dia do começo da difícil vida escolar para milhares de crianças. para os que choram desmamados das mamãs, para os que não notam grande entusiasmo por aí além. todos eles, se tudo correr normalmente, irão ter pelo menos doze anos da vida deles com a rotina escolar. aquela que se entranha e que faz com que a minha memória funcione por anos lectivos.
puxou-se a conversa do meu início de vida escolar. sem birras, calmamente, iniciei aquilo que já faço há 16 dos meus 22 anos, feitos há dois dias.
nas palavras da minha professora, lembro-me bem que se chamava maria josé garcia, eu dava-me com novos, velhos, brancos, pretos. a rita é uma menina espectacular, lá continuava a senhora. que por coincidência teve um esgotamento após dar aulas à minha turma. mas não foi por minha culpa, antes pelo contrário. ao que parece eu punha-lhe gotas nos olhos e ficava a tomar conta da sala quando ela não estava. porque os miúdos têm respeito à rita. tal coisa não me passaria pela cabeça, não fosse a minha mãe contar-me há pouco.
de facto lembro-me de sempre me dar bem com toda a gente e de ser apreciada, apesar de não ser aquilo a que se chama popular. a rita não dava festas nem era bonita, apesar de um menino de olhos verdes lindos me ter escrito uma carta a dizer que gostava de mim e de me ter dado um beijo que me pôs a chorar. a rita era a mais alta, daí o respeito que me tinham, presumo. e magrinha que nem um espeto. mais tarde chamada de gazela. mas sempre sem grandes chatices para o meu lado. e o que é triste é que o contacto com os amigos de infância se foi desvanecendo, como aliás acontece sempre com a maior parte das pessoas que conheço.

quem diria que a miúda de seis anos que impunha o respeito na sala de aula e gotas nos olhos da professora se iria tornar na mulher (se é que se me pode chamar isso já que ainda tenho um caminho imenso por percorrer para ser uma mulher) nervosa e insegura com 22 anos, feitos há dois dias?

dá a impressão de que perdemos qualidades quando crescemos.

domingo, setembro 16, 2007

dor (*)

It may not always be so, and I say
That if your lips, which i have loved, should touch
Another's, and your dear strong fingers clutch
His heart, as mine in time not far away
If on another's face your sweet hair lay
In such a silence as I know, or such
Great writhing words as, uttering overmuch
Stand helplessly before the spirit at bay
If this should be, I say if this should be
You of my heart, send me a little word
That I may go unto her, and take her hands
Saying, accept all happiness from me
Then shall I turn my face, and hear one bird
Sing terribly afar in the lost lands

(*) björk - sonnets/unrealities xi

quinta-feira, setembro 13, 2007

já muito se disse e se escreveu sobre a vinda do dalai lama a portugal e do facto de nenhum representante oficial do nosso governo o ir receber.
também eu vou mandar um bitaite acerca deste assunto, porque me apetece e porque acho que está mal.
porque para além de líder espiritual é nobel da paz, porque irá ter milhares de pessoas no pavilhão atlântico ansiosas por ouvir as suas palavras. porque se calhar se prestassem mais alguma atenção áquilo que o senhor tem para dizer podia ser que aprendessem alguma coisa e passassem a olhar mais para as pessoas em vez de para os números e para as estatísticas, de modo a inverter a tendência negativa dos últimos meses de um governo que a meu até começou bastante bem.
porque se viesse cá o papa provavelmente estaria tudo a recebê-lo de barços abertos e lembrancinhas e lencinhos brancos. tendo em conta a laicidade do nosso estado, e sendo este um líder espiritual de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, alguns milhares em portugal, não entendo a diferença de tratamento.
acho que está muito mal.

segunda-feira, setembro 10, 2007


um dos assuntos mais íntimos de cada um de nós é a nossa fé, ou a falta dela.
soa a cliché mas de facto a fé não se explica, ou se sente ou não se sente.
a minha posição neste ponto não podia ser mais volátil. se por vezes tenho a certeza de que alguma coisa mais forte que eu lá de cima fez um arranjinho para tudo se ter desenrolado de maneira tão perfeita, muitas são também as vezes em que tenho a certeza de que estou por minha conta. de que de nada adianta cruzar os braços à espera de algum empurrãozinho e se por acaso até correu tudo bem é porque o consegui com o meu mérito, porque mereço.
uma coisa é certa, pelo menos neste fase da minha vida não sou devota de nenhum santo. respeito quem o é, mas não consigo deixar de sentir uma enorme rejeição pelo fenómeno fátima. como não crente faz-me muita confusão aquilo a que as pessoas estão dispostas a fazer em nome da fé pela santa.
portanto foi como não crente que assiti à procissão da n. srª das dores, no areal da praia de monte gordo no algarve. e mesmo não crente lá vinha a lagriminha teimosa a querer sair, perante tamanha multidão que acenava à santa, em terra e no mar. porque como não crente chorona não deixei de me emocionar perante a solenidade do momento, perante o pôr do sol maravilhoso, e perante a multidão elevada.

desafio

em resposta ao desafio lançado pela betty cá vai este post.

1. pegar no livro mais próximo -> algumas distracções, francisco josé viegas (colecção inéditos da sábado)

2. abri-lo na página 161 -> confere...

3. procurar a 5ª frase completa -> «os têxteis chineses são responsáveis pelo desemprego na covilhã? » ora aqui está uma frase susceptível de um debate profundo e demorado, algo que não irei fazer.

4. colocar a frase no blog -> done.

5. não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo) -> juro que não o fiz, foi de facto o livro que estava mais perto e que não era nenhum manual de direito. quanto à frase, não será decerto a melhor mas é bem interessante, não?

6. passar o desafio a cinco pessoas ->
refugee
verne
kat_jam
visão caleidoscópica
planeta claudiano

sexta-feira, setembro 07, 2007

quarta-feira, setembro 05, 2007

isto hoje é o dia da parvoíce pegada (*)

espero não me vir a arrepender, pelo menos do que já li das primeiras páginas não me arrependo em nada.
gastei 26 euros num livro, e não foi em nenhum livro da faculdade(!). eu que já não comprava um livro há uns 3 meses, que vou vivendo de empréstimos e de livros gratuitos da imprensa, dn e sábado. mas quando vi este exemplar não resisti. e pior ainda quando o folheei.
são textos de investigação e ensaios de dezenas de ilustres mulheres, de várias nacionalidades, entre elas duas portuguesas, sobre as condições atrozes a que ainda hoje em dia são submetidas as mulheres, numa perspectiva trans-continental.


é um indispensável.
por mais que eu precisasse e muito desse dinheiro para comprar uma mala nova. porque já não compro uma mala há dois anos e a minha já está rota em vários sítios. mas como ainda não está a cair de podre lá optei por esta compra.
como diria a betty coltrane, a minha mala está cheia de charme. vou-me convencer que sim, para não custar muito.
(*) as minhas desculpas por o título não ter absolutamente nada a ver com o conteúdo do post. o meu dia não teve qualquer parvoíce, foi até muito calminho. mas depois de ter ouvido uma velha a apregoar alto e bom som que hoje era o dia da parvoíce pegada confesso que fiquei atenta a todos os sinais de parvoíce. mas não foi comigo. talvez com um de vocês, não sei. mas algures no mundo, decerto alguém teve um dia de parvoíce pegada.

segunda-feira, setembro 03, 2007

carpideira

se há prova que não consigo passar é a prova da lamechice.
está uma mulher a parir na televisão, lá vem a lagrimita. morre uma criancinha faz-se-me logo o beicinho. e eu que não era nada assim. ainda me lembro que quando estava a chover e não podíamos fazer educação física tínhamos de gramar inevitavelmente com o em busca do vale encantado parte 5600. e as minhas coleguinhas logo todas muito precoces a carpir a morte da mão dinossaura, ou lá o que era. e eu bem que tentava puxar a lagriminha, franzia muito a cara, rente à mochila pousada em cima de mesa para ninguém notar as minhas caretas, e depois levantava a cabeça triunfante quando uma pequena gota de esforço escorria cara abaixo.

muitos muitos anos sem me emocionar com nada. quando nem com a morte do fehér, com homens rijos a chorar que nem criancinhas, me comovi comecei a pensar que algo estaria mal comigo.

até que se deu o momento de viragem. não sei muito bem que momento foi esse mas desconfio.
só sei que hoje em dia sou uma criaturinha insuportavelmente chorona. ao nível de uma personagem do camilo castelo branco. e o última prova disso foi chorar a ver um episódio da anatomia de grey. série de que ainda não tinha visto nada mas tive logo de apanhar um episódio de um naufrágio de um ferry boat com muitas mortes, desde grávidas que deixam maridos destroçados, maridos que deixam mulheres viúvas, um sem número de gente a chorar agarrado a fotografias de familiares. um pranto.
quanto à série em si, devo ter visto uns dois episódios depois desse e deu para ver que é infinitamente inferior ao histórico serviço de urgência. a anatomia de grey centra-se mais na vida dos funcionários do hospital e menos nas histórias pessoais dos que são assistidos. é mais novela, portanto. pelo menos para mim.