domingo, abril 29, 2007


Ao pé de mim há um monte
Ônde os homens esgravatam a terra como formigas
Vão consumindo monte
Pedra após pedra
Até nada mais haver
Até nada mais restar

Em breve nada mais sobrará do monte
Terá sido consumido pelas máquinas
Pelos berbequins incessantes
Pelas formigas fulminantes de ambição.

Esta paisagem desoladoratraz um desepsero impiedoso
De subir o monte pois nunca mais o poderei fazer,
Condenado a ficar no sopé
Eternamente

quarta-feira, abril 25, 2007

Natura e Cultura - arelevância do 25 de Abril


Uma das cadeiras que o meu curso me obrigou a ter este semestre, tem como tema central a cultura, mas que cultura? Bem trata-se do tratamento jurídico da Cultura, enquanto conceito mais abrangente possível, mas não como definição de tudo o que abranja a actividade humana. A regência da cadeira acabou por ficar claro que não deveria haver uma definiçãpo de Cultura, assim como não propôs nenhuma, como também iria haver um trabalho em vez de um teste sobre a Cultura e o Direito.

Depois comecei a pensar nos aspectos da cultura, e sobretudo a diferença da concepção e da visão da cultura consoante os diferentes regimes políticos assim que me deparei que antes do 25 de Abril de 74 não havia concertos de rock. Porquê?

Muitas bandas de rock que são hoje célebres e das quais sou fã, tiveram muitos álbuns lançados antes do 25 de Abril, e no entanto tanto Portugal como a vizinha Espanha estiveram afastados da rota dos grandes concertos. Bandas como Led Zeppelin, Cream, Pink Floyd, os Beattles, os Yes e tantos outros nunca pisaram solo português ou se pisaram, caso dos Pink Floyd e dos Yes pisaram-no recentemente, na década de 90. Assim parece que viver num sistema democrático ou não faz toda a diferença, porque numa democracia a cultura é aberta, não é limitada a uma definição de cultura dada pelo Estado, assim se distingue Cultura de Estado, e Estado de Cultura. Esta recente abertura democrática à Cultura estrangeira tem sido em parte bom e mau, mas pelo menos no que concerne à música Portugal tem sido bastante valorizado nos últimos anos, nada de que se compara ao antigo Estado Novo, castrador do enriquecimento cultural, e da liberdade da sociedade civli poder aceder e criar livremente bens culturais.

sexta-feira, abril 20, 2007

diagnóstico

- então doutor, é grave?
- receio que sim. parece que perdeu toda a sua memória.
-então mas...e agora?
-receio que teremos de fazer um transplante de cérebro. não vai sentir nada...vai ser literalmente um começar de novo...

o meu computador precisa de um disco novo. é esse o diagnóstico.
máquinas estúpidas...

terça-feira, abril 17, 2007

Hoje...

Hoje na Aula Magna, mais uma grande banda de rock para apresentar o seu mais recente álbum Somewhere Else. Há uns meses atrás veio o seu ex-vocalista Fish, também à aula magna. Agora e já há uns bons anos com Steve Hogarth. Espero que toquem músicas do Marbles.
Sessão de autógrafos na Fnac do Colombo às 18:30.

segunda-feira, abril 16, 2007

ok computer

quem me conhece sabe que eu não gosto de computadores, e não me dou bem com eles.
parece que o tempo de tréguas acabou e o meu computador, que eu acarinho todos os dias, que acendo diariamente, até tenho o cuidado de quando posso desligá-lo pensando que ele pode estar cansado... resolveu ontém rebelar-se. escuridão total, ou quase, apenas umas barras brancas como que a mostrar o descontentamento. mas que mal lhe fiz eu?

ingrato...

por isso amigos, vou estar ausente por tempo indeterminado. o blog será actualizado não tão regularmente, mas sê-lo-à quando o refugee puder.

quem sabe se eu de vez em quando não apareço por aqui?


até breve (?)

domingo, abril 15, 2007

Muse - Invencible

Aqui está uma das músicas mais bonitas do último álbum de umas das melhores e mais prometedoras bandas. Esta música é brutal e traz memórias de um dos melhores concertos de 2006.

sexta-feira, abril 13, 2007

a saudades de estar longe de casa




Todos somos críticos ou excessivamente críticos da nossa terra natal, mas uma vez fora lembramos a nossa terra com saudade, e estamos sempre a criar comparações, pontes de contacto, e comparações entre pessoas de outros países, demontrando como somos igualmente difenrentes, e diferentemente iguais. Muitas vezes acontece até dentro de um mesmo país, porque mesmo que sejamos muito viajados, ou até universalistas, partimos de um local, ao qual somos afectos, ao qual criámos raízes. E daí partimos para descobrir o resto. Nós tentamos estabelecer diferenças e semçlhanças com tudo, com vizinmhos e famílias, talvez em busca de traços que nos definam a nossa própria personalidade. Se calhar até somos todos iguais, e queremo-nos passar por diferentes, mas pondo as coisas por este ponto de vista até parece irrelevante demonstrar se somos individualistas, ou globalistas, porque de qualquer das maneiras tentamos sempre ou mostarar que somos diferentes, ou que fazemos parte de algo maior.

quarta-feira, abril 11, 2007

acabei de ouvir na rádio que o ano de 2007 prevê-se que seja o mais quente dos últimos anos.

mais ao menos ao mesmo tempo leio esta notícia:

De acordo com o relatório de avaliação do Plano de Contingência para as Ondas de Calor 2006, o Verão desse ano foi o quinto mais quente em Portugal desde 1931.Entre 24 de Maio e 09 de Setembro, foram registadas cinco ondas de calor, das quais a registada entre 07 e 18 de Julho foi já considerada como a mais significativa observada em Portugal para o mês de Julho, desde 1941. Esta onda de calor atingiu quase todo o território e na região do Alentejo durou 11 dias.
Dados de 67 conservatórias do Registo Civil apontam para mais 1.123 óbitos para a população em geral, dos quais 898 com idades iguais ou superiores a 75 anos para o período entre 07 e 17 de Julho.
No período de 04 a 13 de Agosto, registaram-se mais 136 óbitos para a população em geral, dos quais 118 em pessoas com 75 ou mais anos de idade.
fonte: diário digital

portanto, seguindo esta ordem de ideias, já poucas semanas faltam para que possamos assar, para que nos afoguemos em suor, para que sufoquemos no nosso próprio ar...

e depois o frio é que é o mau tempo.

então parece que vai ser assim...

icky thump - 18 de junho de 2007

o que vos parece? eu cá gosto muito, apesar de achar as roupas um bocadiiiiinho foleirotas. mas estão os dois com muito bom aspecto. resta descobrir o conteúdo.

terça-feira, abril 10, 2007

blues

a d. amélia foi minha vizinha durante praticamente toda a minha vida.
fomentadora do meu gosto pela leitura, ela trazia-me livros d'uma aventura directamente da caminho onde ainda trabalha. da alice vieira também, alguns. no natal, nos anos, já sabia que a d. amélia me ia oferecer um livrito.
quando a minha mãe ia falar com ela eu ia também e ficava muito sossegadinha a ouvir a conversa, a d. amélia a fazer-me festas na cabeça, punha um braço à volta dos meus ombros. e eu adorava ouvir as conversas dos adultos.
a d. amélia tinha orgulho em mim quando a minha mãe lhe contava como eu ia na escola, a ritinha já estava a estudar em setúbal, como o tempo passa... a d. amélia encorajou-me como eu não hei-de esquecer num dos picos da minha desmotivação, no 1º ano do meu curso. ela disse que eu ia dar-me bem, para não me preocupar porque eu ia passar. e passei, e fui passando até hoje.
ela foi morar para lisboa, só está por cá aos fins de semana. mas eu preciso muito de vê-la...preciso de lhe fazer festas na cara e pôr-lhe os braços por cima dos ombros. vê-la esticar o pescoço para olhar para cima, para mim. ver-lhe a carinha enrugadinha e o cabelinho ralo na cabeça, mas a mesma maneira viva de ser e a mesma maneira engraçada de falar.
deu-me tantas saudades da d. amélia que me apetecia vê-la já hoje, para deixar de me sentir sózinha.

domingo, abril 08, 2007

sábado, abril 07, 2007

filme de sexta feira à noite

grease - 1978

tão foleiro e tão giro ao mesmo tempo.

sexta-feira, abril 06, 2007

banda sonora para hoje


e voaram pensamentos até ti, não sentiste o calor?

quinta-feira, abril 05, 2007

generation gap


numa loja de roupa uma mãe lança as mãos à cabeça.

a filha adolescente tem uma pilha de roupa escolhida, pronta a ser experimentada, pilha que continua a crescer. são tops, são túnicas, são calças skinnies, são calças mais largas, lisas, estampadas, algodão, cetim. são tão fashion os jovens de hoje em dia. a mãe agita-se «não chega já? ainda vais à procura de mais?». de súbito, as calças da discórdia. hediondas, o look mega - badalhoco parece estar na moda, são manchadas de alto a baixo, de castanho, branco, verde. a menina quer, a menina pega nelas para experimentar. a mãe impõe-se «ah não, essas não te compro, nem penses». a menina não fica triste, sorri e tenta seduzir. provavelmente disse «mas tipo eu este período so tive três negas». a mãe não quebra «não gasto o meu dinheiro nisso». não assisto ao final da cena, os adolescentes irritam-me. que merda de calças eram aquelas, quem gosta daquilo? os adolescentes de hoje são tão diferentes do que fui, e eu fui adolescente há escassos aninhos. as miúdas são boazonas desde novinhas, têm o dobro ou o triplo de roupa que eu tinha na altura, ouvem música de merda e não suporto os seus gritinhos nem as suas hormonas aos pulos, quando os vejo aos apalpões no comboio.

quando quero consigo ser tão infantil...

quarta-feira, abril 04, 2007


parece que desta é que é.

boa tv

felizmente, a televisão não serve apenas para nos entretermos. felizmente que a televisão mostra-nos, por vezes, mais que mulheres bonitas armadas em burras, mais que gajos a correrem pela relva.
há poucos programas que valham a pena acompanhar com atenção. o documentário que a rtp1 tem vindo a exibir, às terças feiras, intitulado portugal - um retrato social, da autoria de antónio barreto, é um desses poucos programas que devem colar as pessoas à tv. para além de mostrar realmente as mudanças que sofremos desde há cerca de 40 anos, põe-nos a pensar como somos enquanto povo. como há certas características tão nossas, tão portuguesas. como, no fundo, a maioria continua muito semelhante às gerações anteriores.
o programa de ontém foi dedicado à evolução das formas de trabalho ao longo das últimas 4 décadas. falou-se de como a (tardia) implantação da indústria no nosso país revolucionou a nossa actividade produtiva, já que se passou de uma sociedade eminentemente rural para uma fuga do campo para os pólos que concentravam as indústrias. a emigração que procurava outros horizontes para além deste país atrasado. a abertura ao comércio externo e a nossa imensa fragilidade à concorrência dos outros países. o mau aproveitamento dos fundos comunitários, o desperdício dessa dádiva que foi entrar para a cee. a crise das indústrias hoje em dia face à concorrência dos países asiáticos.
cometeram-se erros grosseiros...não só políticos, como o caso má negociação das quotas para a pesca, no âmbito das comunidades, como também pessoais, ao não investir-se em formação e em modernidade de instrumentos de trabalho.
tivémos que crescer depressa. mas depressa e bem é uma coisa quase impossível de alcançar.

admitindo que talvez já seja demais e que já é o 4º post em pouco tempo que refiro o nome deste senhor, tenho que dizer que a banda sonora é do rodrigo leão. pronto, está dito.

segunda-feira, abril 02, 2007

pasión



paixão avassaladora.

quem diria que a noite de sexta feira me ia influenciar tanto?

domingo, abril 01, 2007

O BOM ALEMÃO



"Cuidado com as pedras que se levanta, porque não sabemos os podres que estão por baixo."
Era mesmo essa a ideia de Steven Soderberg sobre revivalismo. Escavar o passado. Talvez por ele próprio ser alemão tenha querido levantar a pedra do nazismo, que todos os alemães têm de carregar consigo.
Durante a Conferência de Potsdam, as potências vencedoras - U.R.S.S., os E.U.A. e o Reino Unido - reunem os seus líderes para definir o mapa da Alemanha e da Europa no pós-guerra. Jakob Geismer (George Clooney) é um oficial do exército, correspondente do Jornal New Republic. Uma vez chegado a Berlim é recebido pelo Cabo Tully (Tobey Maguire) seu motorista durante a sua estadia. Cabo Tully é um soldado americano um tanto estranho que para si a guerra foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida, Devido à sua posição consegue contrabandear no mercado-negro, e gozar de posição de destaque, num ambiente anárquico.
Berlim é um campo de destroços, e toda a gente faz o qu pode e o que não deve para sair. Lena Brandt (Cate Blanchett) é um delas. O seu passado consta de arquivo, ficheiros que os Aliados conseguiram arranjar sobre os Nazis.
A trama é pouco clara, mas o jogo de personagens, e a teia complexa é típico deste tipo de filmes que precisamente Soderberg quis recuperar, um filme tipicamente noir, estranho, misterioso.
A ideia é retratar um pouco da vida depois da guerra, sobretudo em Berlim que rápidamente ficou dividida, e o destino do povo alemão ficou lançado. Nasceu uma aversão ao povo alemão, que alguns achavam culpados da ascensão do III Reich, e terem permanecidos impávidos e serenos. Outros como o Congressista, recusavam culpar o povo alemão por algumas maçãs podres.
Neste âmbito, os «abutres» tentavam apanhar o maior número de restos possível do espólio que ficara da Alemanha Nazi. Os russos queriam os territórios que conquistaram à custa de muito sangue, os americanos queriam os cérebros que sobreviveram.
Neste ambiente soturno há um morto, Emil Brandt, oficial das SS, génio científico, que trabalhou no campo de concentração Dora. A chave de todo este enredo e que se tornou característico deste tipo de filmes é a maneira de como as personagens se usam e manipulam contínuamente, todos querem atingir o seu objectivo, não olhando a meios.
dia das petas