quinta-feira, novembro 08, 2007

train of thought(s)(*)

ambas as situações descritas situam-se no comboio da fertagus, a primeira numa viagem de regresso, a segunda na viagem de ida para lisboa.

situação 1: livros familiares, uma estudante de direito sentada à minha frente. a passar uns apontamentos de direito penal. fico a pensar no quão estereotipada é a caligrafia da rapariga. cheia de voltas e reviravoltas, e de consoantes e vogais gordinhas, engordadas por uma caneta de tinta de gel. uma letra feiinha, penso eu. e a rapariga escreve com canetas de várias cores. uma vermelha para as setas e para sublinhar. uma preta para fazer pontinhos e setinhas de outras cores. e a azul para desenhar as letras gorduchas do texto. fico a pensar se uma estudante universitária ainda deve usar várias cores para passar os seus apontamentos. uma estudante universitária deve ter apontamentos de aspecto profissional. riscados, de preferência, que significa que não teve tempo nem pachorra para passar apontamentos a limpo, e que tem uma vida para além da faculdade. não perde tempo em setinhas e bolinhas coloridas.
mas isto sou eu a ser parva.

situação 2: em plena hora de ponta, numa das estações com mais afluência, entra um cachorrinho que se vai deitar debaixo do banco exactamente à minha frente. não parece muito perturbado com a confusão de pés à sua volta, parece mesmo aliviado por estar num sítio quentinho, onde pode dormir. no comboio apinhado onde parece que nada chama a atenção das pessoas, este acontecimento atrai vários olhares. eu confesso que passei a viagem toda a olhar embevecida para ele, mas isso é porque quem me conhece sabe como sou parva por cães. só a senhora do banco por cima do cão parece ter ficado incomodada e diz:
- está aqui debaixo? que nojo!!

estúpida.

(*)dream theater

7 comentários:

Maria del Sol disse...

Bem, quanto à caligrafia e à organização dos cadernos da faculdade sou suspeita, gosto deles minimamente organizados porque da sua limpeza vai depender a clareza da minha mente na altura de estudar. Não sou maníaca de passar a limpo, mas também é verdade que há certas aulas em que, se não o fizer, corro o risco de não perceber a matéria no meio de borrões e riscos. E da minha caligrafia não tenho vergonha de assumir que gosto, embora não seja a mais perfeita nem a mais compreensível a outras pessoas. Mas é algo muito meu que dificilmente pode ser reproduzido :)

Quanto à reacção "anti-sépica" da senhora perante um ser ternurento e sem maldade, diz muito sobre a pretensa humanidade de algumas pessoas a frieza com que tratam outros seres, sejam eles humanos ou não...

Beijinhos

Reflex disse...

Também me faz alguma confusão cadernos a várias cores. É do género "eu tenho vida e tu não!", se bem que também ando longe de ter vida!:P

Quanto à 2ª situação confesso que não percebi: então o animal sentou-se na cadeira enquanto que o ser inteligente fez a viagem no chão?!




[btw, "Train of Thought" também é o nome de uma música dos A-ha, dos idos-mas-nunca-esquecidos 80s!;)]

little_blue_sheep disse...

:S

beijinhos!
;)

Betty Coltrane disse...

Cadernos com cores... hum... nunca liguei mt a isso. Começava, mas às tantas cagava... lol

Quanto ao cachorro... oh... que giro!

Mas porque é q nunca entram cachorrinhos quando eu vou no comboio? Porque é que só entram peixeiras a dizer palavrões? ;P~


excelente post, amiga, como de costume... =)

sôdona.leide disse...

aposto que a jovem sa situação 1 fala por diminutivos...
e diz que comeu saladinha de tomatinho, com franguinho e batatinhas!

não há pachorra!

Arya Bodhisattva disse...

Apontamentos bestiais da vida citadina!
(^^)/

nana disse...

ursa!

:oP


adorei.
as duas "histórias". principalmente a primeira - brought memories... ;oP


beijo.