sábado, julho 07, 2007

este senhor não deve saber dar espectáculos que não sejam grandiosos. e eu agradeço, já que sempre que tiver oportunidade, um concerto de rodrigo leão não é coisa que se perca.

com um alinhamento muito semelhante ao da sua passagem por palmela, já que este concerto faz parte ainda da sua tornée de apresentação do álbum o mundo, desfilaram grandes clássicos, com a abertura a caber (quase de certeza, tendo em conta que não apanhámos o início) a carpe diem, com solitude a ser cantado divinamente pela voz da convidada ângela silva, pasión que arrancou um coro feminino (no qual eu obviamente me incluia) espontâneo muito curioso, quais mulheres de sangue quente e sedutor pelos jardins de belém, muito bem cantada pela grande acordeonista da cinema ensemble celina, que canta aquela canção com uma alma como ninguém, talvez só mesmo suplantada pelo nosso coro...
os arranjos para a orquestra sinfonieta de lisboa resultaram divinalmente, dando uma dimensão ainda mais grandiosa à música do bonacheirão rodrigo.
e depois, houve a presença de beth gibbons... aquela voz intactamente bela, com um timbre inconfundível, a ecoar pelos jardins da torre de belém e a levantar vento do rio. o silêncio total à primeira música por ela cantada que pessoalmente me era desconhecida. a festa à segunda aparição dela para tocar a lonely carousel, que arrancou um «ah mas eu conheço esta música, isto é que é rodrigo leão?» a quem estava atrás de mim e fez ecoar a voz de algumas das muitas pessoas que por lá estavam, que o tuga mesmo sem gostar ou mesmo conhecer, e isso viu-se com muita gente a abandonar o recinto a meio do concerto, não resiste a uma boa borla. e tudo fazia prever que a participação da beth gibbons ficaria por ali. mas não, com a surpresa que estava prometida a revelar-se: uma interpretação por ela cantada do instrumental a comedia de deus, ou canção do regabofe como interiormente é por mim chamada.
mas o ponto alto da noite só pode ter sido a interpretação de sete mares dos sétima legião, pelo convidado especial e ex-membro dos sétima legião pedro oliveira. aí sim, o coro de vozes ecoou bem alto, num momento de nostalgia emocionada para muitos dos que por lá estavam.

no fundo, mais um concerto arrebatador, com um cenário belíssimo, perfeito, mas totalmente inacessível para quem anda de transportes públicos à noite. mas apesar de tudo, a música do rodrigo leão ganha um outro encanto quando tocada em espaços mais intimistas, com os conhecedores devotos. aí sim, torna-se uma viagem etérea, uma autêntica experiência sensorial. ontém, ao ar livre, foi belíssimo mas não teve a emoção que teve em palmela, que foi seguramente um dos melhores concertos a que já assisti.

10 comentários:

Betty Coltrane disse...

Foi maravilhoso - e sim, quase chorei quando ouvi a sete mares! Acho q só não o fiz porque estava eufórica demais!!! :D

Em palmela foi diferente, muito mais íntimo! E pudémos vê-los muito muito bem!

Adeus Rodrigo, até à vista!!! hehe!

planeta Claudiano disse...

Foi uma bela noite sim senhor. A primeira música que a Deusa Beth cantou, é de um álbum dela: "Beth Gibbons & Rustin man - Out of Season" e eu aconselho vivamente :)

Cataclismo Cerebral disse...

Em Palmela foi mesmo divinal! Mas ontem tb deve ter sido qq coisa de especial, tendo em conta o contexto e a participação dessa senhora que eu tanto gosto :)

Bjocas

refugee disse...

Texto muito bem escrito. Gostei imenso de o ler e tive pena que não fosse colocado no meu, mas paciência, também temos de considerar o 10 Feet que para alguns é uma das 7 maravilhas da Blogosfera.

Maria del Sol disse...

De facto pano de fundo não podia ser mais apropriado e os convidados de maior qualidade... mas (felizmente) já não surpreende, Rodrigo Leão é mesmo sinónimo de grandes concertos. Foi bom ter lá estado contigo e com a Betty :)

passarola disse...

oh pá! fui para lá com o humor errado e fiquei no lugar errado.... da próxima vez temos mesmo de combinar ir juntas! Eu fiquei onde nem havia coros, nem emoção... mas também confesso que já fui para lá muito cansada e o trânsito e o carro e a luta para o estacionamento me tiraram a pouca disposição com que já ia... do sítio onde fiquei só consegui achar o concerto bonito, mas com pouca emoção... erro geográfico! Para a próxima....

mas sim... gostei muito da versão sete mares e da deusa beth...

curse of millhaven disse...

passarola da proxima tens d ficar ao pé d nos p cantares e dançares que nem uma maluca! deves ter ficado ao pé d pessoal q nem sabia mt bem o q tava a ver...

mas da prox vez espero q seja num sitio mais pequeno, p estar apenas a crème de la crème dos admiradores...:)

querercoisasimpossiveis disse...

A música que desconheces chama-se Show e está incluída no disco Out of Season que é o primeiro e único álbum a solo dela (Beth Gibbons & Rustin Man)

sôdona.leide disse...

cheguei atrasada, mas a tempo de ouvir a beth gibbons... lindo!

(só achei que o som estava baixinho, ou então era eu que estava mais surda que o habitual)

celina disse...

Belo post:) obrigada