domingo, abril 01, 2007

O BOM ALEMÃO



"Cuidado com as pedras que se levanta, porque não sabemos os podres que estão por baixo."
Era mesmo essa a ideia de Steven Soderberg sobre revivalismo. Escavar o passado. Talvez por ele próprio ser alemão tenha querido levantar a pedra do nazismo, que todos os alemães têm de carregar consigo.
Durante a Conferência de Potsdam, as potências vencedoras - U.R.S.S., os E.U.A. e o Reino Unido - reunem os seus líderes para definir o mapa da Alemanha e da Europa no pós-guerra. Jakob Geismer (George Clooney) é um oficial do exército, correspondente do Jornal New Republic. Uma vez chegado a Berlim é recebido pelo Cabo Tully (Tobey Maguire) seu motorista durante a sua estadia. Cabo Tully é um soldado americano um tanto estranho que para si a guerra foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida, Devido à sua posição consegue contrabandear no mercado-negro, e gozar de posição de destaque, num ambiente anárquico.
Berlim é um campo de destroços, e toda a gente faz o qu pode e o que não deve para sair. Lena Brandt (Cate Blanchett) é um delas. O seu passado consta de arquivo, ficheiros que os Aliados conseguiram arranjar sobre os Nazis.
A trama é pouco clara, mas o jogo de personagens, e a teia complexa é típico deste tipo de filmes que precisamente Soderberg quis recuperar, um filme tipicamente noir, estranho, misterioso.
A ideia é retratar um pouco da vida depois da guerra, sobretudo em Berlim que rápidamente ficou dividida, e o destino do povo alemão ficou lançado. Nasceu uma aversão ao povo alemão, que alguns achavam culpados da ascensão do III Reich, e terem permanecidos impávidos e serenos. Outros como o Congressista, recusavam culpar o povo alemão por algumas maçãs podres.
Neste âmbito, os «abutres» tentavam apanhar o maior número de restos possível do espólio que ficara da Alemanha Nazi. Os russos queriam os territórios que conquistaram à custa de muito sangue, os americanos queriam os cérebros que sobreviveram.
Neste ambiente soturno há um morto, Emil Brandt, oficial das SS, génio científico, que trabalhou no campo de concentração Dora. A chave de todo este enredo e que se tornou característico deste tipo de filmes é a maneira de como as personagens se usam e manipulam contínuamente, todos querem atingir o seu objectivo, não olhando a meios.

1 comentário:

passarola disse...

tenho mesmo que pôr o cinema em dia..fogo!! ainda por cima o indi também está quase a chegar e depois é que não há mesmo tempo para ver tanta coisa boa... esta semana não passa sem um cineminha :)