sábado, janeiro 06, 2007

estupidez com cabelinho à f***-**

agora que a data do referendo se aproxima a passos largos entramos em tempos turbulentos. a irracionalidade vem ao de cima, sobrepõe-se à discussão séria e argumentativa e o discurso demagogo e a puxar à lagrimita por parte da facção betinha da política entra pela cabeça das pessoas. quem ainda não tem uma opinião formada duvido que a forme nestes próximos dias. não é por acaso que os números da abstenção estão a subir e ameaçam que a história se repita. apesar de tudo, acho que desta vez vamos ser um povo evoluído o suficiente para nos mobilizarmos e tomarmos uma decisão sobre um assunto tão importante. seja qual for a resposta que ganhe, ambas as posições têm argumentos válidos.
este post serve para mostrar um exemplo da estratégia dos defensores do não.
na revista da faculdade de direito de lisboa, no nº de dezembro vem esta pérola que não podia deixar de partilhar.
mãe
está quentinho cá dentro. ainda não nasci, mas cresci muito desde que há dez semanas tu e o pai ouviram juntos aquela música calminha muito bonita e passaram a noite juntos. já tenho uma cabeça muito grande,maior que o resto de mim, e se já abrisse os olhos conseguia ver ali ao fundo os meus pés. (...)quando eu conseguir abrir os olhos quero ver-te a ti e ao pai, a fazerem caras parvas e estalinhos com a língua para me verem a rir. quando eu crescer quero jogar futebol. ou ser surfista (!!!!!) como o tio, porque gosto muito de ouvir o mar.(...) quando eu for grande acho que não vou acreditar em deus.prefiro acreditar em ti, mãe, porque és boa pessoa. mãe, ouvi-te falar ontém com o pai. já sei que decidiram fazer um aborto. tenho pena porque assim já não vou nascer e gostava de ver como é o mar. mas não faz mal, mãe. sou muito pequenino, e tu és a minha mãe, tenho de confiar em ti. se não fores tu a fazê-lo quem mais me protege?(...) quis falar contigo antes de te dizer adeus, embora saiba que nem tu me consegues ouvir nem eu consigo falar. nem sequer pensar. mãe, eu nem sei se existo. se morrer, morro sem fotografias ao fim da tarde, sem ter tido um cão e sem me ter apaixonado. morro sem ter respirado. morro sem ter memórias mas só porque não mas deixaram ter. não chores mãe, se calhar tens razão- deus existe e vamos todos para um sítio melhor quando morrermos. só espero que esse sítio seja bonito e que tenha uma praia, porque eu gosto muito da praia...e gosto de ouvir o mar.
joão berhan.


não sei se hei-de rir ou chorar.

17 comentários:

betty coltrane disse...

Eu acho que vou vomitar o jantar... =/!

Eh pá, foda-se, a sério isto é profundamente revoltante... Ninguém no seu perfeito juízo aceita (e publica!!!!!!!) uma coisa destas! Isto é romance de chinelo, a puxar ao sentimentalismo estúpido! Não tem lugar num debate sério e essencial como este... Por favor! Como mulher, e como pessoa consciente e informada, vou votar no sim - porque quero ter liberdade de escolha, e quero ter condições caso tenha que tomar uma decisão dessas (que espero NÃO ter que tomar) - e não preciso de ****** sentimentalistas para me lembrar que estou a matar o meu filho! Será que ele pensa que somos todas inconscientes? Ou estúpidas? Será que não tem consciência da violência psicológica que envolve um acto destes? Uma mulher determinada/compelida/seja o que for a fazer um aborto fá-lo-á, nem que seja numa garagem bolorenta, arriscando a vida nas mãos de pessoas (essas sim inconscientes) sem formação. E nesse caso não é só a criancinha que gosta do mar que vai morrer, mas também a mãe que dançou a música calminha e bonita com o pai! A liberalização do aborto não é um incentivo ao acto! É proporcionar condições a um acto se seria realizado de qq forma! Não aceito que a mulher seja condenada à humilhação da exposição pública e de uma pena de prisão, depois de ter sofrido a violência de um aborto! Ninguém faz um aborto por desporto ou capricho, sinceramente!!!!!

E depois deste discurso todo, aqui fica a minha resposta ao senhor do texto! Se lha conseguirem fazer chegar ás mãos tanto melhor! (Curse e Refugee, conto convosco!)

Mãe:

Hoje é o dia do meu 25º aniversário, e é a ti que tenho a agradecer tudo aquilo que me aconteceu até hoje. O modo como gentilmente me espancavas desde que comecei a respirar mais ruidosamente... Todos os companheiros que arranjaste, certificando-te eram de tal natureza que nenhum deles deixasse de abusar sexualmente da tua filha bébé/criança/adolescente, algo em que o teu irmão participou alegremente. A fome por que me fizeste passar, todos os dias, a fome atroz, que me levou a vender o corpo a estranhos para arranjar comida. A dor da humilhação constante que me fez procurar o esquecimento, primeiro no vinho, e depois na droga... Queria pintar - mas os únicos pincéis que usei foram aqueles que espalhavam a maquilhagem barata na minha pele engelhada. Porque eu tenho 25 anos, mas o meu corpo está gasto, quebrado, amaldiçoado. Batido, espezinhado - a minha pele nunca conheceu uma carícia de amor, os meus ouvidos nunca sentiram o sussurro gentil da palavra "amo-te", o meu sexo nunca conheceu mais do que a violência do ímpeto destruidor, da ganância e do egoísmo masculino. Por isso mãe, neste dia em que escolhi morrer, eu penso em ti, no quanto te odeio, em como essa é a única verdadeira emoção do meu coração.
Porquê? Porque é que me trouxeste a este mundo?! Odeio-te mãe!"

Violento não é? Pois eu acho que o outro é muito pior....

passarola disse...

pois.. era exactamente o que eu ia dizer.. fiquei mais com vontade de vomitar!!! Não consigo acrescentar nada que a betty não tenha dito já.. mas sinto necessidade de postar um link para aqui da passarola. Obrigada Curse e Betty por não se calarem!

little_blue_sheep disse...

:S

...mete nojo, sim senhor..

amorica valente disse...

obrigada

Pedro disse...

Eu acho que esse tal argumento do "liberdade de escolha" também é uma bela treta. Qual é a validade de então se dizer "se o quiser fazer faço" se o fará de qualquer maneira. Se o fará de qualquer maneira, e se é um acto "violento" então que o façam como deve ser, num vão de escada, que isso de se praticarem "actos violentos" sem se sofrer não tem graça nenhuma. Em vez de humilhação, recebem pena, é menor a consolação mas maior o prémio. Também acho mal o aborto que a palavra foda-se foi sujeita e o facto de deus estar escrito com letra pequena. Betinhos ainda gramo, pagãos é que é mais complicado.

Deepak Gopi disse...

:):)Betty Coltarane has written a novel:):)

Anónimo disse...

Independentemente das opiniões, creio que o texto recorre a mecanismos básicos da pura demagogia, quase que chega a dar ares de propaganda baratucha.Para além de ser involuntariamente cómico...

curse of millhaven disse...

ai toda a gente tão politicamente correcta...e pedro: pagã?! LOLOL essa foi tão boa......chocou-te eu ter escrito Deus com letra pequena? n reparaste q eu n escrevo com maiúsculas? vá lá, diz lá agora q eu n sei escrever, e q estou a ir contra as regras gramaticais blá blá blá. se n escrevo com maiusculas foi um estilo que decidi adoptar. já sei q deves tar a franzir-te todo...too bad!oh pedro...pagã?! por amor d DEUS.

betty coltrane disse...

Hello! Atenção que a minha reacção biliosa foi em relação á estupidez do texto citado, não tem nada a ver com ser a favor do sim ou do não... =)

E Pedro, para quem toma tanta atenção aos pormenores... Não é pagã, é ateia, GRAÇAS A dEUS!

hehe!
(e já agora, porque é que a religião foi chamada ao barulho?)

Pedro disse...

..

Pedro disse...

Peço desculpa pelo comment anterior.

Bom eu gostava de saber onde é que vocês escreveram "deus" para eu compreender essa reacção toda, especialmente a parte do "franzir-me todo". Parece-me óbvio que era uma piada para o autor daquele texto patético que a curse citou. E queria agradecer à Betty o tom paternalista mas simpático, poupando-me à humilhação de um "Dah!". O Hello foi mais do que suficiente para eu me meter no meu lugar de pessoa menos inteligente e pouco apta a opinar sobre o que quer que seja. Especialmente em português.

curse of millhaven disse...

oh pedro vá lá..então mas cm n percebeste onde escrevi deus com letra pequena? foste tu próprio a puxar este assunto. bem, assunto encerrado q isto tá tornado numa conversa da treta. gostei da tua ironia no teu último comentário.

Pedro disse...

Concordo, vou ouvir música para o vosso outro blog enquanto trabalho ;)

Papoila disse...

Eu já tinha lido este texto há uns tempos e achei a coisa mais pirosa. Do pior!
Pior fiquei quando reparei que algumas amigas minhas do curso, estavam emocionadas...
Hello!...Terra chama mulheres!

beta disse...

e um planfeto com muitas letrinhas que me deram à saída do metro?

Era estratégicamente dado com as letrinhas para cima, porque no reverso tinha um bébé desfeito!!

Pelo choque não vão lá não... Se aquele bébé/feto saiu tão tarde do ventre de quem o carregou foi devido ao facto do aborto ser ilegal e não se arranjou sitio/dinheiro, ou seja o que for, para o fazer sair mais cedo.

Poupem-me...

Para o Pedro, que não conheço de lado nenhum e como tal não vou julgar, só queria fazer as seguintes afirmações:

Existe um Senhor de apelido Saramago, que até sabe escrever português, e que até é prémio Nobel da Literatura, escreve deus com letra minuscula... Ele é ateu, não é Pagão.

E já agora, eu sou Pagã e escrevo Deus com letra maiuscula ( e Deusa também :P )

Ah! e para sua informação há Pagãos que são contra o aborto.

Perdoa-me este àparte Curse... Desculpa, please...

Beijoca

Beijo

João Berhan disse...

Olá a todos.

Ponto prévio: lamento a forma violenta como todos me (não) abordaram, sem sequer me conhecerem. Não obstante...

O meu direito de resposta foi censurado pelas impossibilidades desta caixa de comentários (que é como quem diz, o meu comentário já ia longo demais), pelo que o farei através de um mail que me puderem facultar.

Obrigado.

joão berhan disse...

Obrigado pelo mail. A resposta chegará, em princípio, ainda este fim de semana. O que me parecia um comentário "instantâneo, sem qualquer pretensão", tornou-se numa demorada exposição de argumentos, não necessariamente direccionados a uma e a cada provocação aqui comentadas. A seriedade do assunto assim o exige.

Lamento, em todo o caso, a veleidade dos insultos de todos.
Agradeço, no entanto, a compreensão e a paciência que terão os autores do blog.

Cumprimentos