sábado, julho 22, 2006

o meu eu positivista

o post de ontém surgiu porque na noite anterior tinha acabado de ler «o deus das moscas» de william golding. esse livro mostra que o ser humano está como que programado a, onde quer que se encontre, qualquer que seja a sua idade, criar regras para tudo. temos uma necessidade inerente à nossa existência de estabelecer balizas e condicionantes para a nossa actuação.

pus-me a pensar se uma vida assim tão delimitada seria boa ou má.

pessoalmente sou uma viciada em regras. estabeleço em quase tudo o que faço barreiras que me comprometo não transpor, e se transponho começa a consciência a roer-me.pergunto-me se é um comportamento saudável. acho que não. um pouco de espontâneidade na vida, um pouco mais de relaxamento e as coisas fluem melhor. é um dos meus defeitos, reconheço-o. mas não estou aqui para falar nos meus defeitos. ainda que admita que também não devamos abusar das regras, ninguém me consegue convencer de que são necessárias.

o problema é atingir o equlíbrio, como em tudo na vida.
podia ser cada um por si e termos uma sociedade sem regras, o que a meu ver era o desastre. para mim o homem não é naturalmente bom, como defendia rousseau. se nos abandonássemos à tentação de fazermos apenas o que cada um queria...não, não consigo imaginar. haveria de certeza coisas boas, mas acho que as más se sobreporiam às boas.
com um estado de direito as coisas más também avultam, tais como a burocracia, o chico-espertismo, mas as coisas boas sobrepõem-se às más.
a aplicação das regras ao caso concreto quantas vezes se traduzem numa injustiça...quantas vezes também não sentimos que parece que há regras para tudo, mais do que seria necessário.

mas a perfeição não existe. temos de aprender a viver com o que temos e quando alguma coisa está mal lutar para que mude.
isto é apenas, claro, a minha opinião.

agora não me lembro se já dantes era assim ou o curso de direito me anda a dar a volta ao miolo. anda a dar claramente mas não sei se esta minha veia positivista estava apenas adormecida se apareceu estretanto.

1 comentário:

betty coltrane disse...

Bela questão. Desde cedo o homem chegou à mesma conclusão que tu. Não é por acaso que as regras existem, certo? Quer dizer, até o comportamento do mundo selvagem é regido por regras - vai lá dizer a um lobo jovem que tem o direito de acasalar com a fémea Alfa sem se lhe acontecer nada, que logo vês o que ele te diz... LOL
Voltando aos verdadeiros selvagens, o equilíbrio seria mesmo a chave para o sucesso das sociedades - mas como o atingir? Desde a Babilónia que o ser humano busca a sociedadade perfeita. Não sei se alguma vez a atingiremos. Mas sei de algumas em que eu gostaria de ter vivido - como membro da classe dominante, obviamente, que isto pos pobres nunca foi grande coisa...
Por isso, olha, tem sempre em atenção as regras, como manual de conduta geral, mas não deixes que sejam elas a governar-te.
Beijoca!!!!
E se for preciso, discutimos melhor isto na próxima tertúlia!!! :)